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Dia Nacional da Alimentação Escolar destaca a qualidade das refeições oferecidas na rede municipal
Cardápios variados, orientação nutricional e incentivo a hábitos saudáveis fazem parte da rotina dos estudantes sapiranguenses
  • 21 de outubro de 2026
  • 18:16

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A alimentação escolar é parte importante do desenvolvimento das crianças e dos adolescentes, contribuindo para o aprendizado, o crescimento e a formação de hábitos saudáveis. Em Sapiranga, o serviço atende diariamente os estudantes das 33 escolas municipais, com cardápios planejados de acordo com as necessidades nutricionais dos 11.274 alunos, sendo 4.093 da Educação Infantil e 7.174 do Ensino Fundamental.

Celebrado em 21 de outubro, o Dia Nacional da Alimentação Escolar reforça a importância das refeições oferecidas nas instituições públicas de ensino. Em Sapiranga, o investimento anual na alimentação escolar é de quase R$ 7 milhões. Somente em 2025, foram adquiridos 46,2 toneladas de arroz e 17,7 tonelas de feijão, alimentos tradicionais na mesa dos brasileiros e presentes todos os dias na rotina das escolas municipais. O valor também representa a compra de verduras, legumes, frutas, proteínas e outros ingredientes que estão presente nos cardápios.

No Brasil, a alimentação escolar é orientada pelo Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE), gerenciado pelo Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), vinculado ao Ministério da Educação (MEC).

Cardápios equilibrados e variados

A elaboração dos cardápios considera as necessidades nutricionais dos estudantes em cada etapa do desenvolvimento, buscando oferecer refeições variadas, nutritivas e adequadas à faixa etária. Conforme a nutricionista Vitória Alves, uma das responsáveis pelo acompanhamento da alimentação escolar, o planejamento segue as orientações do PNAE e valoriza a diversidade dos alimentos.

“A gente tenta deixar um cardápio bastante diverso, pensando em coisas regionais aqui para a gente, a questão do arroz e feijão, além de alimentos diversos, a questão de frutas, verduras. A gente quer um prato colorido, nutritivo, para que essa criança tenha um bom desenvolvimento, que a gente forneça energia e nutrientes”, explica a nutricionista.

Além de contribuir para o desenvolvimento físico e cognitivo, a alimentação escolar também tem papel importante na construção de hábitos que podem acompanhar os estudantes ao longo da vida. Na Educação Infantil, esse trabalho ganha ainda mais relevância, pois muitas crianças começam a ampliar o contato com diferentes alimentos nessa fase.

Segundo Vitória, apresentar novos sabores e incentivar uma alimentação equilibrada desde os primeiros anos ajuda a estabelecer uma relação positiva com a comida, favorecendo escolhas mais saudáveis no futuro.

Refeições de acordo com a rotina escolar

A organização da alimentação escolar busca atender às necessidades dos alunos conforme o tempo de permanência deles nas instituições, garantindo refeições que façam parte da rotina de cuidado e aprendizagem.

Nas escolas municipais de Educação Infantil (EMEIs), as crianças dos berçários e do Maternal 1 recebem seis refeições ao longo do dia: café da manhã, lanche, almoço, dois lanches e jantar. Já as turmas de Maternal 2 e Maternal 3 recebem cinco refeições: café da manhã, lanche, almoço, outro lanche e jantar.

Nas escolas da Educação Básica (EMEBs), cinco instituições funcionam em turno integral, oferecendo dois lanches e uma refeição completa. Nas demais escolas de Ensino Fundamental, que atendem em turno parcial, os estudantes recebem uma refeição completa durante o período escolar.

O cuidado também está no preparo

Por trás dos cardápios, o trabalho das merendeiras é essencial para transformar os alimentos em refeições que despertem o interesse das crianças. O preparo envolve atenção aos temperos, à apresentação e às preferências dos estudantes, sem deixar de lado a qualidade nutricional. No mês de julho, 48 servidores envolvidos no preparo das merendas participaram de uma formação no Laboratório de Gastronomia da Universidade Feevale. A iniciativa da Smed buscou aperfeiçoamento e padronização das boas práticas na rotina de preparo da merenda escolar.

Entre os pratos mais apreciados pelas crianças está a polenta com carne moída. Segundo as merendeiras, a iguaria é a refeição mais pedida, e algumas crianças chegam a pedir aos familiares para que refaçam em casa o mesmo prato servido na escola.

A equipe também busca formas de incentivar o consumo de legumes e verduras. Em algumas preparações, ingredientes como alho, cebola, cenoura e legumes diversos são triturados ou incorporados aos alimentos, facilitando a aceitação por parte dos pequenos. “A gente bate no liquidificador porque a criança é muito visual, né? Se ela vê a cebola, vê o alho, provavelmente não vão querer. Com esses e outros ingredientes batidos vai assim que é uma beleza”, ressalta a merendeira Alda Siqueira da Emei Arco-íris.

O vínculo construído diariamente também faz parte dessa relação. As servidoras que atuam na cozinha relatam que as crianças costumam procurá-las para dar bom dia, oferecer flores, perguntar o que será servido no jantar ou contar o que comeram durante o dia. São demonstrações de carinho que evidenciam a proximidade entre os profissionais da cozinha e os estudantes. “Tinha um menino que falava pra profe que precisava ir ao banheiro, mas na verdade vinha aqui na cozinha, parava na porta e perguntava ‘o que tem de janta hoje?’”, conta Fernanda Grun, servidora de serviços gerais da mesma escola.

Autonomia desde os primeiros anos

Na Educação Infantil, a alimentação também é uma oportunidade para desenvolver a autonomia. Durante as refeições, as crianças são incentivadas a experimentar e a comer sozinhas, respeitando a faixa etária, seu ritmo e suas preferências.

A auxiliar de sala Márcia Elisa Mendes Alves observa que os pequenos já demonstram independência ao utilizar os talheres. “Eles vêm aqui, comem sozinhos, com a colher e depois com o garfo. A gente pergunta se eles querem ajuda. Não ajudamos direto porque eles não gostam, por isso perguntamos”, relata.

A prática permite que as crianças desenvolvam habilidades importantes para o cotidiano, ao mesmo tempo em que aprendem a lidar com os alimentos e a reconhecer suas próprias necessidades.

Texto e fotos: Bruna Bernardo

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