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Notícias

145 anos da batalha dos Mucker

Data de publicação: 1 de agosto de 2019
Fotos: Divulgação
Crédito da notícia: Departamento de Comunicação

O dia 2 de agosto de 1874, ficou marcado na história do Vale do Sinos, por um conflito religioso entre os colonos no Morro Ferrabraz, que se estendeu por seis longos anos. Os protagonistas desta saga foram Jacobina Mentz e João Jorge Maurer, que se conheceram em São Leopoldo, na metade do século 19, casaram-se em 1866 e, saindo de Hamburgo Velho, se estabeleceram nas terras da encosta do Morro Ferrabraz (teriam tido seis filhos).

Curiosamente, os pais de Jacobina teriam deixado a Alemanha devido ao rompimento da família com a igreja luterana e a criação de uma seita em uma pequena comunidade germânica, Tambach-Dietharz, na região central do país. A história se repetiu no Vale do Sinos. Jacobina sofria de ataques epiléticos, desde criança, o que fazia com que ela fosse vista como uma pessoa de natureza diferenciada. Quando ela adoeceu, o curandeiro Ludwig Buchorn a tratou e ensinou o marido dela (que era carpinteiro) sobre as ervas e como elas podiam ser usadas para a cura de enfermidades. Como naquela época os médicos eram escassos, as pessoas comumente apelavam a curandeiros. Enquanto Maurer utilizava seus conhecimentos com chás e ervas, Jacobina usava a religião no atendimento espiritual aos doentes, citando passagens bíblicas com algumas interpretações livres. Tornou-se famosa por suas pregações e os tratamentos e rituais de cura passaram a ser vistos como miraculosos, em meio a momentos de epilepsia vistos como transes.

Assim, criou-se uma legião de seguidores (muitos até fanáticos) de Jacobina, e isso atraiu a ira de muitos outros habitantes que a viam como uma inimiga da igreja e acusavam de falsa curandeira. Surgiu então na colônia a definição Mucker para os seguidores de Jacobina, uma pejorativa palavra alemã que pode ser traduzida como falso, desonesto ou encrenqueiros no plural.

 

COLÔNIA MUCKER
Mal vistos pela sociedade estabelecida (parte de origem católica, parte de origem protestante), os Mucker eram acusados de vários ataques na região pelas comunidades contrárias a eles. Com as acusações, ataques, embargos e a opressão, eclodiu o ódio no Morro Ferrabraz. Em maio de 1873, Jacobina e seu marido chegam a ser presos em São Leopoldo. Ela chega a ser, inclusive, internada para exames clínicos em Porto Alegre, mas é liberada no mês seguinte, sem resultados conclusivos. Os conflitos seguem até que em junho de 1874 se iniciou, então, uma sequência mais violenta e sangrenta de ataques, que ficou conhecida como A Batalha dos Mucker. Casas comerciais e residenciais foram incendiadas, resultando em mortes de crianças e adultos. Vieram abaixo-assinado, acusações, pressões na Justiça e no governo estadual.

 

BATALHA DOS MUCKER

A chegada das tropas de infantaria comandadas pelo coronel Genuíno Sampaio acentuam o prenúncio da ofensiva derradeira. Na sua primeira ofensiva, em 28 de junho, perde muitos soldados (seriam 39 mortos) e os Mucker saem com menos baixas (apenas seis mortes). Mas em 18 de julho vem o primeiro massacre, com 16 seguidores de Jacobina mortos - ela escapa e se refugia no Ferrabraz com alguns de seus fiéis. Nesta ataque Sampaio é alvejado e morre um dia após o ataque devido a uma hemorragia. Arma-se, então, o combate final de tropas do Exército e da Guarda Nacional contra os Mucker, que ocorreu em 2 de agosto de 1874. Um seguidor da seita (Carlos Luppa) teria levado às tropas até onde se escondia Jacobina. Ela e seus seguidores foram massacrados. Os poucos que sobreviveram foram presos e condenados. E, segundo relatos, mesmo depois de soltos os seguidores de Jacobina foram perseguidos na região e até pelo Estado afora, inclusive ocorrendo novas mortes. Outros seguidores da seita, que haviam fugido antes do massacre, também sofreram perseguição.

A história já foi contada e recontada, ganhando novas versões, a maioria trazendo uma nova visão sobre Jacobina, que de líder fanática de uma seita passou a ser vista como líder defensora de uma minoria ameaçada pela intolerância da sociedade na época. Em 2009, um Memorial da Reconciliação foi erguido em Sapiranga, ao pé do Morro Ferrabraz (junto a uma estátua em homenagem ao Coronel Genuíno Sampaio), selando simbolicamente a paz entre descendentes dos dois lados do conflito.

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